quarta-feira, 12 de maio de 2010

Confidência

A forma mais rápida de me perder é tentando me aprisionar...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Os nascidos em setembro têm aquele ar de primavera

Eu nasci na primavera. Numa noite tranqüila, de aroma indecifrável... Exatamente entre o inverno e o verão, na estação própria dos desvelamentos. Quando os seres encontravam-se num estágio de vir a ser...
Talvez por isso seja própria desta estação a estranha sensação de incompletude. Talvez por isso os nascidos na estação da transição tendem às metamorfoses e possuem uma profunda relação com as vicissitudes...



Primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome,
nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.
A inclinação do sol vai marcando outras sombras;e os habitantes da mata,essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão,
começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra,
nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarãoas
cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Cecília Meireles

domingo, 24 de janeiro de 2010

Ensinamento

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.

Adélia Prado

domingo, 17 de janeiro de 2010

Que tipo de amor é o seu?

Estamos vivendo uma fase tão fugaz, tudo é tão líquido, tão experimental... Na realidade, penso que talvez essa seria mais uma das angústias da pós modernidade. Nada mais cabe em lugar algum, como diria Pessoa “Tudo é disperso e derradeiro, tudo é incerto, nada é inteiro” acho que essa frase expressa muito bem esta atmosfera a que me refiro...
Nos últimos dias tenho pensado um pouco no amor dentro desse contexto. Em como compreendemos esse sentimento e muito mais em como o vivenciamos...
Particularmente, acredito no amor verdadeiro desde que regado a uma dosagem de realidade. Não que o romantismo não exista, eu acredito em sua existência (e até o considero importante), mas penso que vivemos em um momento de desconstrução...
A geração dos meus pais, por pudor ou convicção, acreditou no amor romântico, no “felizes para sempre” e eu cresci ao som desta mesma melodia. Mas ao longo do tempo fui percebendo certos descompassos neste enredo. Parecia que algo faltava e havia a estranha sensação de lacuna...No percurso, fui destituindo alguns valores, às vezes a base de muito sofrimento e algumas desilusões. Às vezes tomando um caminho totalmente inverso e outras buscando um meio termo...
Estive pensado sobre isto nos últimos tempos, na tentativa de entender um pouco mais sobre que tipo de amor é o meu e qual seria o amor no qual acredito... De fato eu acredito no amor, mas tenho tentado me despir de alguns valores do amor romântico. Às vezes prefiro acreditar em afinidades, respeito,cumplicidade, transparência, sentimentos verdadeiros, sem fugir da realidade, na perspectiva de entender um pouco daquilo que realmente é humano.
Mas o que seria humano em uma relação? Um pouco de dúvida, de contradição, ou seja, aquilo que muitos passam uma vida negando, mas que, no fundo, conhecem com precisão e apenas temem enxergar...
Penso que o amor não nos anula, não rouba nossos desejos, não nos deixa cegos, surdos e não nos impede de apreciar outros acordes. Por outro lado, ele nos inspira a sermos melhores conosco e com o outro, a sermos mais crédulos e afáveis . Ele nos induz à sinceridade, o que não quer dizer, que não precisemos (por vezes) ocultar alguns entraves... E isto não é por mal, pelo contrário, é pelo bem... Pelo nosso bem, pelo bem alheio... Em fim... Eu continuo acreditando no amor, mas me falta descobrir, com precisão, que amor é esse no qual eu acredito...

OBS: isso não significa dizer que não continuo apreciando uma boa dosagem de lirismo rs

“...Enquanto isso eu pago meus pecados
Por ter acreditado que só se vive uma vez
Pensei que era liberdade
Mas, na verdade, me enganei outra vez...”

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ao Samba...

O samba canta a dor com o refrão da alegria
Poetiza a desesperança com os acordes da paixão
Se não fosse o samba não sobraria fantasia
Nem destreza ao coração...




Esclarecendo:

O samba consiste em uma das manifestações culturais mais predominantes em nossa cultura. Ao longo da sua história foi capaz de unir universos diversos e totalmente extremos, mas que através da poesia deste emblemático seguimento musical, pode expressar a diversidade das classes e de muitas manifestações sociais. Nomes como Adoniran Barbosa, Noel Rosa e, em especial, Cartola denotam o quanto poesia e arte nada tem a ver com academicismo e conhecimento técnico. O samba mostrou ao mundo que a cultura popular é rica em poesia, arte e inspiração. Sou apaixonada pelo samba,em especial pelo Cartola, devido a sua capacidade de conjugar simplicidade, sabedoria e autentica inspiração.

Diante disso, não posso dizer mais nada além de que "quem não gosta de samba bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou é doente do pé" rs

OBS: fique claro que me refiro ao samba de raíz e não ao "transformismo" mais conhecidos como pagode.

sábado, 12 de dezembro de 2009

PARA 2010

Desejo paz, muita paz; apesar de saber que serei visitada por algumas turbulências...
Espero muito amor, apesar de saber que a raiva ou o rancor insiste em encontrar espaço em nossos corações...
Almejo muitos sonhos e grandes realizações, tendo a certeza de que a frustração será necessária para me fazer crescer...
Aguardo, esperançosa, por muita sabedoria, crescimento e aprendizagem; mesmo prevendo que, por vezes, minhas atitudes poderão ter a birra de uma infante.
Espero poder compartilhar minha vida com eles, apesar de tudo ser sempre tão incerto...
Desejo o amadurecimento da minha fé e que o Amor componha todos os meus dias...
Que a poesia seja perene e faça companhia plena, pois é com ela que adestro as agonias...
E por fim, preciso confessar que desejo você comigo de coração entregue e presença inteira e que os meus olhos te digam sempre o que minhas palavras já não sabem revelar...



"Então é natal e o que você fez?
O ano termina e nasce outra vez...
Então bom natal e um ano novo também
Que seja feliz, quem souber o que é o bem ..."

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Calmaria

Interessante perceber a necessidade inata de simplesmente parar...
Ao olhar distraído há apenas marasmo, calmaria... Mas as incursões profundas demandam silêncio, requerem linearidade e, cima de tudo, pedem calma.

Não podemos esquecer que há o sigilo que precede grandes alardes. Há a quietude que prenuncia repentinas transladações. Há a ausência de sorrisos para diluirmos melhor nossas inquietudes...

Por fim concluo que, por hora, meu silencio é, inegavelmente, necessário...


“Calma. Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure,
deixe que o tempo cure.
Deixe que a alma tenha a mesma idade que a idade do céu...”

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Uma música muito significativa para mim...

Forte Como Um Menino
Prisma Brasil
Composição: Twila Paris

Nos combates tenho sido vencedor
Mas ao vencer eu também posso me ferir
Falam por aí que a minha força é demais
Sem ver que no meu peito eu escondo o meu pesar

Saibam pois que ao cair eu oro ao meu Deus
Saibam quem é que me levanta se estou só
Espada em punho estou a chorar
Pois dentro da armadura só um menino há

Destemido busco encontrar a paz
Pois de Jesus a armadura é voraz
Dizem por aí que a mim ninguém vai derrotar
Sem ver meus inimigos que me tentam sem parar

Saibam pois que ao cair eu oro ao meu Deus
Saibam quem é que me levanta se estou só
Espada em punho estou a chorar
Pois dentro da armadura só um menino há...


Para todos que,como eu, as vezes se sentem como um menino dentro de uma armadura...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Samba do grande amor

"Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito.
Exijo respeito não sou mais um sonhador.
Chego a mudar de calçada quando aparece uma flôr e dou risada do grande amor... MENTIRA..."

Chico Buarque.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Onde eu me encontro agora?

Saudade de mim e dos tempos em que estive comigo.
Do olhar contemplativo, dos acordes ressoantes em uma calma que costumava não passar.
Saudade do olhar crédulo, do coração pulsante e do sorriso largo, que a pressa jamais conseguiu silenciar.
Nostalgia dos tempos de poesia rara, das notas que naturalmente compunham a melodia.
Do andar sereno e da pressa acalentada pela rima que trazia leveza aos dias...
Saudade dos versos que não fiz. Das canções que não cantei. Dos lugares que deixei de conhecer e dos sorrisos que calei. Saudade da minha companhia, do meu colo, do meu olhar para o mundo e das minhas tênues conclusões sobre a humanidade...
Saudade de mim...


Ser essência... Muito mais...
A porta aberta, o porto acaso, o caos, o cais...

Se lembrar de celebrar muito mais...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Escrevo...

Quando a dor é forte e chega a sufocar. Quando nada faz sentido puro ou quando eu mesma projeto meus próprios fantasmas. Quando tudo e nada pedem uma razão para existir. Quando minhas idéias não me dizem nada que me conduza ao equilíbrio. Quando meu olhar perpassa a paisagem. Quando as lágrimas insistem em se fazer presentes e quando um mundo inteiro não tem nada a me oferecer além das palavras.

Por isso escrevo...

Porque não caibo em mim mesma. Porque há momentos em que meu mundo precisa de formas concretas. Porque meus medos são pesados demais para os meus ombros, mas cabem perfeitamente em um papel. Porque meus sentimentos são intensos e na maioria das vezes minha razão não condiz com a realidade. Porque a escrita me faz companhia inteira. É capaz de estancar o que, por hora, sangra. E por vezes, apenas ela “silencia” meus segredos.
Porque com ela a atmosfera ressurge mais amena e apenas sua rima traz leveza aos pensamentos...

domingo, 27 de setembro de 2009

A última produção de colágeno...

Essa semana fui surpreendida com esta frase... E só serviu para tornar minha passagem mais emblemática. Pois bem caros amigos, esse ano encerrei minha produção de colágeno, ou seja, passei dos 25 kkkk. Seria impossível não iniciar este texto com esta “tão relevante informação” rs.
Bom, é isso, meus 25 anos (idade tão emblemática para mim) se foram. Hoje levo comigo apenas as belas lembranças de um ano tão intenso em aprendizado, crescimento, descobertas e muita transformação...
O sentimento que inunda minha atmosfera é de gratidão... Jamais poderei encerrar este ciclo sem reconhecer as belas experiências deste ano. Todas as lágrimas, com as quais vieram muitas verdades. Todos os sorrisos, compartilhados ou não, que compuseram um cenário matinal para todos os meus dias. Todas as lutas do trabalho diário, que tanto contribuíram para reafirmar cada vez mais minha paixão pelo meu ofício e minha credulidade em uma sociedade “melhor”...
Em fim... Agradeço a todos os adolescentes que atendi, as experiências que compartilharam comigo e todo crescimento humano e profissional que cada um me oportunizou. Sou grata pelos colegas, parceiros e muitas vezes amigos com quem tenho o prazer de dividir não apenas horas de trabalho, mas (acima de tudo) experiências intensas e aprendizado constante... Além, é claro, de largos sorrisos e algumas angustias... rs
Sou grata pela família que tenho e pela redescoberta e sempre confirmação de nossos vínculos. Afinal, “família é quem você escolhe para você, é quem você escolhe para viver” E eu tenho grande satisfação em reafirmar nossa união a cada novo dia!
Meu melhor sentimento de gratidão a Deus. Ser que dá sentido aos meus dias... Olhar que me acompanha sempre. Presença impar na minha história...
Agradeço a todos os amigos, presentes e ausentes, próximos ou distantes, mas que de maneira tão peculiar compuseram meu cenário e o tornaram mais “colorido”. Sinto-me imensamente feliz pela presença impar de cada um... Amo todos vocês e a cada um de maneira única!


É isso! Um brinde ao AMOR, a vida, a Deus, às pessoas, e ao ser que eu me tornei!
E que os 26 sejam tão ou até mais belos que os 25... E para isso “quero os meus olhos vestidos de lunetas”!!!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sem palavras

Tornei a decifrar os meus acordes e vi que tudo é apenas sentimento.
Subjetividade pura, tão intensa que depurá-la é um risco.
Bem vindo ao limite de toda humanidade: a palavra!
Aquilo que não tem textura, forma ou conteúdo gramatical, jamais permite ser configurado. Por fim, limito-me ao sentimento e essa angustiante sensação de ausência plena de significantes capazes de conter meu mundo em um instante...


“Palavras apenas
Palavras pequenas
Palavras, momento
Palavras, palavras
Palavras, palavras
Palavras ao vento...”

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Reencontro - Ana Jácomo

Eu vim aqui me buscar. E aqui parecia ser longe, muito longe do lugar onde eu estava, o medo costuma ver as distâncias com lente de aumento. Vim aqui me buscar porque a insatisfação me perguntava incontáveis vezes o que eu iria fazer para transformá-la e chegou um momento em que eu não consegui mais lhe dizer simplesmente que eu não sabia. Vim aqui me buscar porque cansei de fazer de conta que eu não tinha nenhuma responsabilidade com relação ao padrão repetitivo da maioria das circunstâncias difíceis que eu vivenciava. Vim aqui me buscar porque a vida se tornou tediosa demais. Opaca demais. Cansativa demais. Encolhida.

Vim aqui me buscar porque, para onde quer que eu olhasse, eu não me encontrava. Porque sentia uma saudade tão grande que chegava a doer e, embora persistisse em acreditar que ela reclamava de outras ausências, a verdade é que o tempo inteirinho ela falava da minha falta de mim. Vim aqui me buscar porque percebi que estava muito distante e que a prioridade era eu me trazer de volta. Isso, se quisesse experimentar contentamento. Se quisesse criar espaço, depois de tanto aperto. Se quisesse sentir o conforto bom da leveza, depois de tanto peso suportado. Se quisesse crescer no amor.

Vim aqui me buscar, com medo e coragem. Com toda a entrega que me era possível. Com a humildade de quem descobre se conhecer menos do que supunha e com o claro propósito de se conhecer mais. Vim aqui me buscar para varrer entulhos. Passar a limpo alguns rascunhos. Resgatar o viço do olhar. Trocar de bem com a vida. Rir com Deus, outra vez. Vim aqui me buscar para não me contentar com a mesmice. Para dizer minhas flores. Para não me surpreender ao me flagrar feliz. Para ser parecida comigo. Para me sentir em casa de novo.

Vim aqui me buscar. Aqui, no meu coração.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Mistério do Planeta

Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do "stop"
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola


Os Novos Baianos
Composição: Galvão - Moraes Moreira


Apenas uma das mil maneiras de se ver uma única vida...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Por quê?! Ora...

Porque sempre existirão palavras não ditas,
sentimentos não vividos, amores perdidos e reencontrados.
Porque a vida passa rápido demais e não há segunda chance.
Porque os sentimentos verdadeiros sempre são mais difíceis de se expressar.
Porque nossas certezas serão sempre postas à prova
e sempre haveremos de nos redescobrir.
Porque seus braços não estarão sempre comigo
e a liberdade nunca será completa.
Porque sonhamos a céu aberto e esse mundo sempre será duro demais para nós.
Porque jamais ousarei ser tudo e para mim bastará apenas que seja belo.
Que cada lágrima seja com sentido e cada palavra nunca dita em vão.
Que cada grão da minha fé me leve ao inesperado
e que eu jamais perca a capacidade de sonhar.
Porque as vezes é dificil acreditar, mas depois que se acredita é muito mais cruel retroceder.
Porque nossos sonhos não são comprados e o que realmente faz sentido, nem sempre todos conseguem perceber.
Porque o mundo todo está de partida, mas o que mexe comigo é a chegada.
Porque a pressa pede que sejamos breve, mas quero decifrar cada descoberta neste plano e num futuro.
Porque desejo o inaudito e sei que ele terá cor, textura e forma.
Porque um mundo inteiro pode não acreditar, mas eu seguirei tentando.
Porque todos erram e eu jamais poderia ser diferente.
Porque as pessoas exigem perfeição, mas eu espero apenas SINCERIDADE.
Porque tudo pode não parecer fazer sentido, mas eu ouso acreditar... Sempre!
Porque sempre poderá ser possível e eu acredito que Nele tudo há de se tornar real. Porque sem credulidade não faz sentido estar aqui e apesar do pessimismo soar mais inteligente e racional, a vida sempre terá mais cor aos olhos dos que confiam.
Porque a vida me ensinou a ser diferente e eu espero não parar de me transformar e que cada experiência me permita ser melhor, sem abandonar o que me faz tão bem...

domingo, 12 de julho de 2009

Das certezas que a vida trás

“Você é como eu। Tem sede de vida!” Foi o que ele lhe disse...
Ela pensou e logo admitiu...

Não poderia deixar de concordar. Afinal, de fato, tinha muita sede. Então questionou “Por quê? E de onde ela vem?”
Retrocedeu alguns compassos e percebeu que durante muito esteve imersa em tantas questões que por longo tempo andou as voltas consigo mesma... Como se o tempo passasse, mas não fosse capaz de avançar। Como quem está presa em um dado momento e dele não se permiti retirar. Uma espécie de exílio voluntário. Talvez necessário, mas conformado por vastos retrocessos. Como alguém que abre mão da própria liberdade.

E foi isso... Percebeu que esteve presa a um passado que parecia não poder abandonar. Por longo tempo foi preciso passar pelos mesmos caminhos, com a mesma dor, com os mesmos olhos, sempre encobertos pela mesma nódoa. Como se as horas nunca prosseguissem. Sempre voltada para o mesmo ponto. Até que um dia, a vida ousou passar. E como quem avista o mar pela primeira vez, pode contemplar a imensidão, o horizonte amplo. Daí passou a desejar o inaudito. Tudo aquilo que não tem nome, mas que conhecia tão de perto, tão por dentro...
E hoje já não sabe viver de outra forma। Já não cabe em si tanto desejo. E já se torna tão claro e transparente que além de si, o universo todo reconhece.

—Tenho se de vida, sim! Sede que não passa! Sede que não cabe mais em mim...


“Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio...
...Tempo, tempo, mano velho!
Tempo, amigo. Seja legal. Conto contigo, pela madrugada.
Só me derrube no final”.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A palavra é D E M A N D A S!

E não por acaso está no plural. Afinal, hoje nada pode ser feito p a u l a t i n a m e n t e. Tudo tem que vir completo e já no plural, que é para poder atender todas as SOLICITAÇÕES.
Já parou para pensar o quanto somos cobrados?! Basta encontrar velhos amigos que lá vêm as mesmas perguntas: JÁ SE FORMOU? JÁ TA TRABALHANDO? VAI FAZER PÓS? TÁ NAMORANDO? AH! TÃO BONITA, POR QUÊ?! E viva a cultura do consumo! As pessoas olham para você e acham que sempre está faltando algo. Aquele artigo que elas julgam NECESSÁRIO!
Cansei disso... É por isso que ninguém consegue entender o Adriano! Hahahaha
Já observou que ninguém pergunta coisas, de fato, interessantes?! Se você consegue perceber a atmosfera poética nas velhas fachadas do Recife; ou se já viu as obras do Thiago Amorim; as citações de Miró; a nova música do Rappa; o filme que ta passando no cinema da fundação; o programa do Roger, sei lá... Qualquer coisa que não possa ser vista como SUA MAIS NOVA AQUISIÇÃO!
Não... ISSO NUNCA! As pessoas perguntam se você está TRABALHANDO; se vai fazer aquele CONCURSO; se já comprou seu CARRO, ou em que fundo pretende INVESTIR.
AFF! Toquei! Agora quero investir num fundo muito mais “rentável”
O fundo do SER! Conhece? Não?!!! DEVERIA...

sábado, 16 de maio de 2009

Eis a razão da minha sílaba.

Porque a escrita retrata melhor que qualquer fotografia. Vai e resgata o que há de mais essencial. Nela não nos deixamos dispersar pelas cores, pela imagem ao fundo. Detemos-nos ao que está posto. Tudo se resume à expressão. E isto basta para se comunicar.
Permite o encontro. Refere o não dito. Cria e recria o que se passa. Remonta as tonalidades e define a textura. É uma forma de reinventar a paisagem.
Por fim, percorremos as muitas telas de uma mesma vida. Como quem recita as historias de um único conto. E o belo está neste eterno reencontro consigo.
Os velhos escritos soam como imagens antigas। Percursos ultrapassados que compuseram nossas andanças. Relendo velhas rimas olhamos para quem fomos. E isto nos permite ver o quanto avançamos e que direção tomamos. Pois sabendo quem fui, sei onde estou e para onde desejo ir...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

EIS O POEMA

VELHO TEMA
(VICENTE DE CARVALHO)

Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada;
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.